O vazio de uma nação
A foto na capa do livro atrai pela simetria: cinco janelas de um bonde, dispostas como quadros de uma tira de filme. Com um pouco mais de atenção, vê-se que os passageiros nas duas janelas de trás são negros e nas outras três, brancos. Não é ao acaso: são os anos 50, nos Estados Unidos, em Nova Orleans, quando os espaços coletivos eram segregados.
Virando a página, outra imagem, na mesma cidade e na mesma época. Pedestres caminham na calçada, alguns para a direita, outros para a esquerda. Jovens e velhos, altos e baixos, homens e mulheres. Dois negros estão nas margens laterais, voltados para dentro da fotografia. Um homem branco, mais alto, olha ameaçadoramente para a câmera. Outro sorri.